Vinculado ao Instituto Ambiental Goianá

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Grandes rios amazônicos influenciaram diversidade do Jacamim

Vandré Fonseca24 de Janeiro de 2012


 Interflúvios de grandes rios determinam a espécie de jacamim. A primeira separação ocorreu entre o norte e o sul da região, quando surgiu o Rio Amazonas. Hoje, são oito espécies com diferenças genéticas e na plumagem. Ilustração: Camila Ribas et al.

Manaus, AM - O Jacamim (Psophia sp) é uma ave interessante. Ele vive em grupos, mas quem manda é uma fêmea dominante, que tem lá seu harém de machos para procriar. E eles ajudam a criar os filhotes juntos. Quando as crias crescem, as fêmeas se dispersam, em busca de outro lugar para viver, enquanto os machos ficam.

O jacamim serve também para estudar a biogeografia da região Amazônica, ou seja, a interação entre a biodiversidade e a paisagem natural. E foi isto que demonstrou a ecóloga Camila Ribas, hoje trabalhando no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). “Ele só ocorre na Amazônia e têm diferenças na plumagem entre uma região e outra”, afirma a pesquisadora. “É uma ave que caminha, que não voa muito. Então, a gente imagina que eles vão responder a barreiras biogeográficas, como os grandes rios”, completa.

A pesquisa começou quando ela cursava pós-doutorado no Museu Americano de História Natural, e foi publicada agora em janeiro, na revista da Royal Society. A partir de uma análise genética, ela conseguiu dados que provam a existência de 8 e não apenas 3 espécies diferentes de jacamins. Mais do que isto, o estudo demonstrou que a diferenciação entre as espécies de jacamim ocorreu entre 3 e 5 milhões de anos atrás. E este é um dado importante para conhecer as mudanças da paisagem amazônica ao longo de milhares de anos.

Como explica Camila, o estudo sobre as origens da biodiversidade amazônica havia deixado de lado pesquisas sobre a formação dos rios. Isto porque acreditava-se que eles teriam surgido no mioceno, entre 10 e 15 milhões de anos atrás. Mas agora dados hidrológicos estão demonstrando que estes rios são muito mais jovens, têm entre 3 e 5 milhões de anos. Ou seja, o surgimento deles é contemporâneo à diversificação dos jacamins, e de outras espécies amazônicas. “Dados moleculares indicam que o tempo de origem destas espécies concorre com o tempo aproximado da formação destes rios”, conta.

E não é por acaso. Quando os grandes rios surgiram na Amazônia, além de fazer quantidades maciças de água correr em direção ao Oceano Atlântico, criaram barreiras naturais que isolaram espécies animais e vegetais, contribuindo para a grande biodiversidade da região. Populações foram separadas e tiveram, então, uma evolução diferente. O processo foi definitivo para a grande variedade de espécies de animais e plantas atuais.

Uma diversidade que não para de surpreender, como no caso dos jacamins. Já se conhecia as diferenças na aparência da ave nas diversas partes da Amazônia, mas se imaginava que não eram suficientes para caracterizar espécies diferentes. “A gente viu que a variação no fenótipo, na plumagem, é coincidente com a variação genética, o que caracteriza espécies diferentes”, afirma Camila Ribas. “A diversidade imaginada hoje na Amazônia, na verdade, é muito maior".

O surgimento do Rio Amazonas separou a população ancestral do jacamim que vivia na parte ocidental da Amazônia e nas Guianas, fazendo com que as populações ao norte e ao sul do grande rio se diferenciassem. O mesmo ocorreu com o desenvolvimento do rio Madeira, o Napo e o Tapajós, o Negro, e depois o Tocantins também com o Tapajós. Para cada interflúvio destas rios, há uma espécie diferente de jacamim.

Imaginava-se, por exemplo, que jacamim-de-costas-verdes, era apenas uma espécie distribuída entre o Rio Madeira e o oeste do Maranhão. Camila demonstrou que não se trata de uma, mas de quatro espécies diferentes. “A espécie que ocorre perto do Atlântico (P. obscura) é endêmica da região de Belém, a leste do Tocantins, e é diferente das outras”, conta a pesquisadora. “É uma região que está sendo muito explorada, que quase não tem mais floresta. Descrita agora, talvez a gente comece a considerar o quão ameaçado já está o jacamim-de-costas-verdes".

O jacamim-das-costas-cinzas habita exclusivamente o noroeste da Amazônia. Foto: Conhecendo os animais (http://conhecendoanimais.blogspot.com)

Aves machos se travestem de fêmeas para ter mais chances de sexo

France Presse
09/11/2011 15h06 - Atualizado em 09/11/2011 18h28

Metade dos machos de águias-sapeiras tem penas da cor das fêmeas.
Resultado é que eles são menos atacados por outros machos.


Em uma espécie de falcão, os machos se travestem de fêmeas para obter uma vantagem furtiva no jogo do amor, revelou um estudo incomum, publicado na edição desta quarta-feira (9) da Biology Letters, periódico da Sociedade Real Britânica.
A maioria dos machos de águias-sapeiras (Circus aeruginosus) é acinzentada, porém mais de um terço tem plumagem permanente que imita a cor das fêmeas, que é predominantemente marrom com cabeça e ombros brancos.
Tentando compreender o que está por trás desta plumagem trocada, biólogos chefiados por Audrey Sternalski, do Instituto de Pesquisas em Recursos Cinegéticos de Ciudad Real, Espanha, pesquisaram o comportamento dos falcões no Marais de Brouage, uma região pantanosa do centro-oeste da França.
Exemplares da espécie atacam iscas durante pesquisa (Foto: AUDREY STERNALSKI / ROYAL SOCIETY / AFP)
Exemplares da espécie atacam iscas durante pesquisa (Foto: AUDREY STERNALSKI / ROYAL SOCIETY / AFP)
Após identificar 36 casais chocadores, eles posicionaram um de três tipos de iscas perto de cada ninho. As iscas eram bonecos de plástico, pintados para parecer um macho típico, uma fêmea típica ou um macho "travestido de fêmea" de águia-sapeira.
Na defesa de seu território, machos típicos mostraram ser três vezes mais propensos a atacar a isca de macho típico do que as demais iscas.
Surpreendente foi o comportamento dos machos travestidos de fêmeas em casais chocadores.
Eles desempenham ao extremo o papel de fêmeas. Em uma demonstração de ciúmes, revelaram ser duas vezes mais propensos a atacar a isca feminina do que a masculina.
Impressionados, os cientistas acreditam que os falcões travestidos tenham uma vantagem competitiva ao imitar as fêmeas de forma tão enfática.
Ao parecer fêmeas e agir de forma menos agressiva, correm menos riscos de ser atacados por competidores, o que lhes dá uma chance maior de abordar as fêmeas para acasalar.
O artigo também sugere que este comportamento também dá a eles a chance de ingressar em um território com comida abundante sem ter que disputá-la com rivais.
Mas por que os machos típicos toleram os impostores?
Uma resposta possível seria a de que machos típicos podem achar vantajoso ter um vizinho tranquilo, pois assim teria menos trabalho para defender seu território.
Além disso, machos típicos também teriam chances de copular com as fêmeas destes machos mais submissos.
A outra única espécie de ave conhecida, cujos machos imitam permanentemente as fêmeas é o pavão do mar (Philomachus pugnax), ave pernalta que também recorre a este disfarce para se aproximar das fêmeas.

Cientistas traçam origem de pombos para entender variações da espécie

20/01/2012 07h00 - Atualizado em 20/01/2012 08h13

Existem mais de 350 raças da ave, com diferentes cores e formas.
Muitas delas surgiram de cruzamentos feitos pelo homem.

Do Globo Natureza, em São Paulo

Um estudo publicado na revista científica "Current Biology", traçou a árvore genealógica dos pombos, com o objetivo de descobrir a origem da enorme variação da espécie. Segundo os pesquisadores, existem mais de 350 raças da ave, com variação de cor, forma, tamanho do corpo e do bico, estrutura óssea, colocação de penas e comportamento.
"A maioria das pessoas pensa nos pombos como ratos do céu. Mas as raças pombo doméstico são maravilhosamente diversificadas", disse Michael Shapiro, da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, em material de divulgação.
Cristas da cabeça de duas raças de pombos domésticos, que não são geneticamente muito semelhantes (Foto: Mike Shapiro)
Cristas da cabeça de duas raças de pombos domésticos, que não são geneticamente muito semelhantes(Foto: Mike Shapiro)“Nosso objetivo é rastrear variações no DNA que controlam algumas dessas interessantes diferenças entre as raças”, explicou Shapiro. O estudo comparou o gene de 70 raças de pombos domésticos e duas selvagens. Tantas raças de pombos não existiriam se não fossem cruzamentos realizados por aficcionados pela ave ao longo de milhares de anos, afirmou o pesquisador. Por isso, diz ele, a história da espécie é muito parecida com a dos cachorros domésticos. De acordo com o estudo, muitas raças de pombos tem como origem a Índia e o Oriente Médio. Outras raças modernas, que costumam ser descritas como originárias da Europa, podem ser descendentes de espécimes transportados para o continente por comerciantes ou colonialistas.

Seca no Sul dos EUA ameaça dieta de ave sob risco de extinção

De acordo com a organização IUCN, restam menos de 400 exemplares do grou-americano no mundo. A espécie é considerada ameaçada de extinção. (Foto: Pat Sullivan/AP)De acordo com a organização IUCN, restam menos de 400 exemplares do grou-americano no mundo. A espécie é considerada ameaçada de extinção. (Foto: Pat Sullivan/AP)


Grou-americano precisa comer crustáceos antes de migrar para reprodução.
Biólogos monitoram de perto situação de ave endêmica do Hemisfério Norte.

A falta de chuvas nas regiões de estuário e pântano no Sul dos Estados Unidos, nas proximidades do Golfo do México, reduziu a oferta de crustáceos e outros animais marinhos que fazem parte da dieta dos grous-americanos (Grus americana), espécie considerada ameaçada de extinção e que depende deste alimento durante o inverno no Hemisfério Norte, antes de realizar sua migração anual para o Canadá para reprodução.
De acordo com cientistas, a seca devastadora levantou preocupações sobre possíveis ameaças aos remanescentes de grous-americanos naquela região. Além da escassez de precipitação, outro problema é a longa duração da chamada “maré vermelha”, quando florescem algas tóxicas na água salgada, oferecendo risco às aves.
“Estamos muito apreensivos e por isso monitoramos de perto esta população para ver como será a reação delas”, disse Dan Alonso, gerente do Refúgio Nacional da Vida Selvagem Aransas e que durante o inverno é lar de aproximadamente 300 espécimes de aves da família Gruidae.
Em 2009, quando o Texas passou por uma grave seca, 23 grous-americanos morreram entre novembro e março. Testes indicaram que alguns exemplares contraíram doenças raras e estavam subnutridos. Mas os cientistas acreditam que alguns morreram de fome. Segundo Alonso, em 2012 já foi registrada uma morte.
“Acredito que vamos perder novamente uma boa quantia de aves neste ano” disse Tommy Moore, guia turístico na região e que transporta turistas e amantes anualmente pelos pântanos rasos do Texas. “A única coisa que vi os grous comendo durante este período foram peixes mortos. Não há mais nada para comer por aqui”, complementa.
A seca pode ter efeitos duradouros sobre a recuperação de uma espécie. Segundo os cientistas, se as aves não recebem proteína suficiente durante os meses de inverno, algumas podem morrer durante a viagem de volta para seus locais de reprodução, durante o verão. Os grous só produzem um filhote por temporada, por isso há pouco espaço de tempo para tentar reverter esta situação, de acordo com biólogos.
Segundo a lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), o grou-americano é considerado ameaçado de extinção. De acordo com a organização, restam menos de 400 aves na América do Norte (Canadá e Estados Unidos).
*Com informações da Associated Press

Estresse alimentar afeta processo de troca de penas em aves do Havaí

Competição por comida com espécie invasora atrasou processo de 'muda'.
Cientistas publicaram investigação na revista 'PLoS ONE'.


O processo natural de troca de penas de aves nativas da Reserva natural da floresta de Hakalau, no Havaí, Estados Unidos, pode ter sido atrasado devido ao estresse alimentar que afeta a população de pássaros daquela região, consequência da ação humana, afirma estudo publicado nesta semana na revista científica “PLoS ONE”.

Segundo especialistas da Universidade do Havaí em Manoa, as aves locais têm que competir por comida com a espécie invasora olho-branco japonês (Japonicus zosterops), introduzida em 1929 por humanos para eliminar insetos e que se disseminou pela região.
A partir de observações, foi verificado que aves jovens e adultas endêmicas, passaram a levar mais tempo para completar sua muda, o que, segundo os pesquisadores, pode ter a ver com a fome. O fenômeno foi detectado a partir da década de 2000
Combate
Outro problema visualizado é que a troca de penas ocorre de forma assimétrica, ou seja, as cores das penas em ambos os lados não têm permanecido as mesmas.

O estudo diz ainda que exemplares adultos fêmeas começaram a trocar de pele mais cedo, coincidindo com o período de reprodução. De acordo com a publicação, geralmente as aves evitam realizar as duas atividades ao mesmo tempo devido ao gasto excessivo de de energia.
A investigação científica aponta que o déficit alimentar nas aves só será resolvido se houver controle na reprodução do olho-branco-japonês. Desta forma, haveria recuperação das aves endêmicas.
 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

XIX Congresso Brasileiro de Ornitologia - SBO

O XIX Congresso Brasileiro de Ornitologia será realizado na cidade de Maceió - AL, durante os dias 13 a 23 de novenbro de 2012.

Maiores informações, clique no link a aqui !

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Milhares de pássaros mortos caem do céu no primeiro dia do ano

FOLHA.com

http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/1029375-milhares-de-passaros-mortos-caem-do-ceu-no-primeiro-dia-do-ano.shtml

Cerca de 5.000 pássaros mortos assustaram os moradores da cidade de Beebe, no Arkansas, no primeiro dia do ano. As aves caíram sobre estradas, telhados e quintais de várias casas.

A causa ainda não está esclarecida, mas resultados preliminares indicam que os pássaros morreram por alguma razão física, indicando que as mortes não estavam relacionadas a alguma doença.
O caso não é inédito. Em janeiro de 2010, cerca de 3.000 aves morreram em condições misteriosas na mesma cidade.
As próximas análises se concentrarão em indícios químicos. Órgãos de proteção de animais acreditam que a morte dos pássaros podem ter sido provocadas por fogos de artifício usados nas comemorações da virada do ano.
As autoridades científicas locais acrescentaram que as mortes das aves não têm ligação com os mais de 85 mil peixes mortos por uma doença que atingiu a espécie e que surgiram perto de Ozark, no mesmo Estado.

Warren Watkins/AP
Pássaro negro morto em Beebe, no Arkansas, após estranha chuva de aves mortas no Ano-Novo em 2011 e 2012
Pássaro negro morto em Beebe, no Arkansas, após estranha chuva de aves mortas no Ano-Novo em 2011 e 2012